Latência, banda e tráfego não são a mesma coisa. Entenda cada termo, a diferença entre Mbps e MB/s, quanto 1 Gbps transfere por mês e como medir.
Para que serve este guia
"O servidor está lento" pode significar coisas muito diferentes na rede. Este guia explica a diferença entre latência e largura de banda, o que é tráfego (ou transferência), como esses números se relacionam e quais ferramentas usar para medir cada um. Com isso fica mais fácil ler especificações como "porta de 1 Gbps" e "tráfego ilimitado" e diagnosticar a causa de uma lentidão.
Latência, banda e tráfego em uma frase cada
- Latência: quanto tempo um pacote leva para ir e voltar. Medida em milissegundos (ms).
- Largura de banda (banda): quanto dado cabe no "cano" por segundo. Medida em bits por segundo (Mbps, Gbps).
- Tráfego (transferência): quanto dado efetivamente passou pelo cano em um período. Medido em bytes (GB, TB por mês).
Uma analogia comum é a estrada: a latência é o tempo de viagem entre duas cidades, a banda é o número de faixas e o tráfego é quantos carros passaram no mês.
Latência
A latência normalmente é informada como RTT (round-trip time), o tempo de ida e volta que o comando ping mostra. Ela é a soma de:
- Distância física: a luz na fibra óptica percorre cerca de 200 mil km por segundo, o que dá aproximadamente 1 ms de RTT para cada 100 km de fibra. O caminho real da fibra quase sempre é mais longo que a linha reta no mapa.
- Equipamentos no caminho: cada roteador e firewall adiciona um pouco de atraso.
- Filas: quando um link está congestionado, os pacotes esperam na fila e a latência sobe.
Latência afeta principalmente o que é interativo: sessões RDP, jogos, VoIP, sistemas que fazem muitas consultas pequenas ao banco de dados. Um ERP que executa centenas de consultas sequenciais em cada tela sofre muito com latência alta entre a aplicação e o banco, mesmo com banda sobrando. Por isso a recomendação é manter aplicação e banco no mesmo servidor ou datacenter e acessar remotamente apenas a interface (RDP, web).
Dois indicadores relacionados:
- Jitter: variação da latência de um pacote para outro. Prejudica voz e vídeo.
- Perda de pacotes: pacotes que não chegam e precisam ser retransmitidos. Mesmo 1% de perda derruba bastante o desempenho de conexões TCP.
Largura de banda e throughput
A banda é a capacidade máxima do link, por exemplo a porta de 1 Gbps do servidor. O throughput é quanto você consegue efetivamente transferir, sempre um pouco menor por causa de cabeçalhos de protocolo, retransmissões e limites do outro lado da conexão.
Bits x bytes: Mbps não é MB/s
Velocidade de rede é medida em bits (b minúsculo); tamanho de arquivo, em bytes (B maiúsculo). Um byte tem 8 bits. Logo:
- 100 Mbps ≈ 12,5 MB/s
- 1 Gbps ≈ 125 MB/s (na prática, entre 110 e 118 MB/s de dados úteis em TCP)
- 10 Gbps ≈ 1,25 GB/s
Banda e latência juntas
Em uma única conexão TCP, a velocidade também depende da latência: o emissor só envia uma certa quantidade de dados (a janela) antes de receber confirmação. Quanto maior o RTT, mais tempo ele espera. Esse limite é chamado de produto banda-atraso. É por isso que uma cópia para um servidor no exterior pode ficar abaixo da banda contratada, enquanto várias conexões em paralelo (ou ferramentas que usam múltiplos fluxos) aproveitam melhor o link.
Tráfego (transferência mensal)
Tráfego é o volume acumulado de dados que entrou e saiu do servidor no período de cobrança. Os provedores costumam tratá-lo de uma destas formas:
- Franquia mensal: um volume incluso (por exemplo, alguns TB) e cobrança ou redução de velocidade acima dele.
- Cobrança por GB: comum em nuvens públicas, especialmente para tráfego de saída.
- Sem medição de volume: você paga pela velocidade da porta e não pelo volume. Quando o anúncio diz "tráfego ilimitado", leia os termos de uso para entender as condições.
- Percentil 95: modelo usado em contratos de trânsito: mede o uso a cada cinco minutos, descarta os 5% maiores picos e cobra pelo valor seguinte.
Para ter ideia de escala: uma porta de 1 Gbps usada a 100% durante um mês de 30 dias transfere cerca de 324 TB (125 MB/s × 2.592.000 segundos).
Como medir latência, banda e tráfego
# Latência e perda até um destino
ping -c 20 destino.exemplo.com.br
# Latência e perda em cada salto do caminho (Linux)
apt install mtr-tiny
mtr -rwc 100 destino.exemplo.com.br
# Throughput entre dois pontos (rode "iperf3 -s" no outro lado)
apt install iperf3
iperf3 -c IP_DO_OUTRO_LADO -P 4 -t 30
# Tráfego acumulado por interface
apt install vnstat
vnstat -m
No Windows, use ping, pathping e o Monitor de Recursos (aba Rede). Faça testes a partir de mais de um local: um gargalo na sua conexão de escritório pode parecer problema do servidor.
Perguntas frequentes
Mais banda diminui a latência?
Não diretamente. Banda maior evita congestionamento (e as filas que aumentam a latência), mas não encurta a distância física.
Qual latência é boa para RDP?
Abaixo de 50 ms a experiência costuma ser fluida; acima de 150 ms o atraso entre digitar e ver na tela incomoda. Servidor no mesmo país que os usuários ajuda.
Por que o teste de velocidade mostra menos que 1 Gbps?
Overhead de protocolos, limite do outro lado da conexão, latência alta com poucas conexões ou disco lento na origem ou no destino. Teste com iperf3 e vários fluxos para isolar a rede.
Tráfego de entrada e de saída contam igual?
Depende do provedor. Nuvens públicas geralmente cobram apenas a saída; outros contam a soma ou o maior dos dois sentidos.
Leitura complementar
- Documentação do iperf3 (em inglês)
- RFC 6349: metodologia de teste de throughput TCP (em inglês)
- SIMET (NIC.br): medição de qualidade de conexão
Precisa de ajuda?
A E-Consulters oferece servidores dedicados em datacenters em São Paulo. Se quiser entender as condições de rede e tráfego, fale com o nosso comercial. Se você já é cliente e está com lentidão, abra um ticket anexando a saída do mtr ou do pathping nos dois sentidos, se possível.
