Entenda o que é colocation, o que está incluso, os custos que costumam ser esquecidos e em quais casos compensa mais do que alugar um servidor dedicado.
Para que serve este guia
Quem tem servidores próprios no escritório e quer levá-los para um ambiente com energia redundante, refrigeração e boa conectividade costuma esbarrar em duas opções: alugar um servidor dedicado ou contratar colocation. Este guia explica o que é colocation, o que está e o que não está incluso, os termos que aparecem nas propostas e em quais situações cada modelo faz mais sentido.
O que é colocation
Colocation (ou "colocação") é o serviço em que você leva o seu próprio hardware para dentro de um datacenter de terceiros e paga pelo espaço, pela energia, pela refrigeração, pela segurança física e pela conectividade. O servidor continua sendo seu: você compra, instala, mantém e substitui as peças.
No servidor dedicado, ao contrário, o hardware pertence ao provedor. Você aluga a máquina pronta, e trocas de disco, fonte ou memória com defeito ficam por conta de quem é dono do equipamento.
O que normalmente está incluso no colocation
- Espaço: medido em U (unidade de rack, 44,45 mm de altura), meio rack, rack inteiro (geralmente 42U a 48U) ou gaiola (cage) fechada.
- Energia: contratada em ampères ou kVA, frequentemente com duas alimentações independentes (A e B) para servidores com fonte redundante.
- Refrigeração e controle ambiental.
- Segurança física: controle de acesso, câmeras, vigilância.
- Conectividade: porta de rede e trânsito IP do próprio datacenter ou de um provedor presente nele, além de cross-connects (cabos ligando o seu rack a operadoras ou a outros clientes no mesmo prédio).
- Remote hands: técnicos do datacenter que executam tarefas simples a pedido (apertar o botão de energia, trocar um cabo, inserir um disco que você enviou). Pode ser cobrado por hora.
Colocation x servidor dedicado
| Critério | Colocation | Servidor dedicado |
|---|---|---|
| Dono do hardware | Você | Provedor |
| Investimento inicial | Alto (compra dos servidores, trilhos, cabos, peças reserva) | Baixo (mensalidade) |
| Peça com defeito | Você compra, envia e agenda a troca | Responsabilidade do provedor |
| Escolha do hardware | Total (GPU, storage específico, appliances) | Limitada ao catálogo |
| Prazo para começar | Semanas (compra, entrega, instalação) | Normalmente dias ou horas |
| Rede e IPs | Contratados à parte ou do datacenter; possibilidade de ASN e IPs próprios via BGP | Incluídos no serviço |
| Fim da vida útil | Você renova o parque | Você migra para um plano mais novo |
Custos que costumam ser esquecidos
- Peças de reposição: sem estoque próprio de discos e fontes, uma falha pode deixar o servidor parado até a peça chegar.
- Garantia e suporte do fabricante: contratos de reposição rápida custam caro e nem sempre cobrem a cidade do datacenter.
- Deslocamento: visitas ao datacenter para instalar, ampliar ou trocar equipamentos.
- Remote hands: cada intervenção pode gerar cobrança.
- Energia acima do contratado: servidores antigos consomem mais por unidade de trabalho; exceder a cota de energia pode exigir upgrade de contrato.
- Equipamentos de rede próprios: switch, firewall e, às vezes, roteador.
- Depreciação: o hardware perde valor e precisa ser substituído a cada alguns anos.
Quando o colocation vale a pena
- Você já tem hardware recente e quer aproveitá-lo até o fim da vida útil.
- Precisa de equipamento que nenhum provedor aluga: GPUs específicas, storage de grande capacidade, appliances de terceiros, hardware homologado por um fornecedor.
- Tem uma frota grande o bastante para manter peças reserva e equipe técnica, o que dilui o custo por servidor.
- Possui ASN e blocos de IP próprios e quer fazer BGP com várias operadoras.
- Exigências de auditoria ou contrato determinam que os ativos sejam da empresa.
Quando o servidor dedicado tende a ser mais simples
- Você não quer imobilizar capital em hardware.
- Não tem equipe para logística de peças e visitas ao datacenter.
- Precisa começar rápido ou pode precisar trocar de configuração no meio do caminho.
- Tem poucos servidores, o que torna caro manter peças reserva.
Em ambos os casos, avalie a qualidade do datacenter (veja o artigo sobre datacenter Tier III), a conectividade e o suporte disponível. Para comparar com VPS e nuvem, veja também "Servidor dedicado, VPS ou cloud".
Perguntas frequentes
Colocation é a mesma coisa que hospedagem?
Não. Em hospedagem e servidor dedicado o provedor fornece o hardware; no colocation você leva o seu.
Quem administra o servidor em colocation?
Você. O datacenter cuida do ambiente (energia, clima, segurança e, quando contratado, rede); sistema operacional, aplicações e hardware são seus.
O que é "1U" em colocation?
É uma unidade de altura de rack, 44,45 mm. Um servidor "1U" ocupa uma unidade; um "2U", duas.
Preciso ter acesso físico ao datacenter?
Em geral é possível cadastrar pessoas autorizadas e agendar visitas. Com IPMI/iLO configurado, a maior parte das tarefas pode ser feita remotamente.
Leitura complementar
Precisa de ajuda?
A E-Consulters não trabalha com colocation: oferece servidores dedicados, em que o hardware, a energia, a rede e a troca de peças ficam por conta da empresa. Se você está avaliando entre comprar o próprio hardware ou alugar, fale com o nosso comercial para entender as opções disponíveis. Se você já é cliente, abra um ticket.
